cultura

 

Para uma compreensão mais lata do P. Benjamim Salgado, este meu trabalho de investigação sobre as suas Obras, a sua colaboração na imprensa e as suas referências biobibliográficas pela imprensa, em particular a famalicense.

 

BBS.doc (122 kB)

 

a caminho do centenário da biblioteca municipal camilo castelo branco (2013). uma cronologia da biblioteca de todos nós e, ao mesmo tempo, da leitura pública em vila nova de famalicão. para a cândida, assim amorosamente, que adora estas coisas.

 

 

 

BM.pdf (883 kB)

para a cândida, amorosamente

 

EROS E AMOR.docx (196,7 kB)

 

 

"... a sua leitura transmite-nos o conhecimento da republicanização da cultura em aspectos como as questões do regime, religiosa, social, a educação e ensino e o feminismo. Por outro lado, explora os meios em espaço aberto utilizados pela elite republicana na difusão da sua mensagem: os passeios, as excursões, as merendas, as touradas, as quermesses, os bodos aos pobres, as festas cívicas. E os meios  em espaço fechado: as conferências, as sessões solenes, as récitas, as leituras públicas e os bailes. Tudo isto no sentido da criação de uma nova simbologia e imagética do espaço que se pretendia substituir à mundividência católica e clerical. A música, a poesia e os gestos eram elementos que carreavam uma nova visão do mundo associada ao comemoracionismo que trazia consigo uma nova concepção do tempo."

Vítor Neto

 

RIBEIRO, Lia

A Popularização da Cultura Republicana: 1881-1910. Pref. Vítor Neto. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2011. (República; Coord. Científica Amadeu Carvalho Homem)

nos 150 anos do "amor de perdição"

 

 

LITERATURA. Dimensão moral

"A verdade é algumas vezes o escolho de um romance. / Na vida real, recebêmo-la como ela sai dos encontrados casos, ou da lógica implacável das coisas; mas na novela, custa-nos a sofrer que o autor, se inventa, não inventa melhor; e, se copia, não minta por amor da arte. / Um romance que estriba na verdade o seu merecimento, é frio, é impertinente, é uma coisa que não sacode os nervos, nem tira a gente, sequer uma temporada, enquanto ele nos lembra, deste jogo de nora, cujos alcatruzes somos, uns a subir, outros a descer, movidos pela manivela do egoísmo. / A verdade! Se ela é feia, para que oferecê-la em painéis ao público?! / A verdade do coração humano! Se o coração humano tem filamentos de ferro, que o prendem ao barro donde saíu, ou pesam nele e o submergem no charco da culpa primitiva, para que é emergi-lo, retratá-lo, e pô-lo à venda? /! / Os reaparos são de quem tem o juízo no seu lugar; mas, pois que eu perdi o meu a estudar a verdade, já agora a desforra que tenho é pintá-la como ela é, feia e repugnante. / A desgraça afervora ou quebranta o amor? / Isso é o que eu submeto à decisão do leitor inteligente. factos e não etses é o que eu trago para aqui. ."

 

Camilo, Amor de Perdição

 

 

nos 150 anos do "amor de perdição".

a imagem representa um aspecto da ópera cantada pela primeira vez no "real theatro de s. carlos" na noite de 2 de março de 1907. Foi o seu autor joão arroyo (1861-1930), que adaptou musicalmente o "amor de perdição". segundo alexandre cabral "com extraordinário sucesso".

 

"Ilustração Portuguesa". Lisboa, n.º 58 (1 Abr. 1907), p. 15

http://dopresente.blogspot.com

 

LITERATURA E DINHEIRO.

 

"Nos romances todas as crises se explicam, menos a crise ingóbil da falta de dinheiro. Entendem os novelistas que a matéria é baixa e plebeia. O estilo vai de má vontade para coisas raras  Balzac fala muito em dinheiro; mas dinheiro a milhões: não conhecço, nos cinquenta livros que tenho dele, um galã num entreacto da sua tragédia a cismar no modo de arranjar uma quantia com que pague ao alfaiate, ou se desembarace das redes que um usurário lhe lança, desde a casa do juiz de paz a todas as esquinas, donde o assaltam o capital e juro de oitenta por cento. Disto é que os mestres em romances se escapam, sempre. Bem sabem eles que o interesse do leitor se gela a passo igual que o herói se encolhe nas proporções destes heroizinhos de botequim, de quem o leitor dinheiroso foge por instinto, e o outro foge também, porque não tem que fazer com ele. A coisa é vilmente prosaica, de todo o meu coração me confesso. Não é bonito deixar a gente vulgarizar-se o seu herói a ponto de pensar na falta de dinheiro."

 

Camilo, Amor de Perdição

os 150 anos do amor de perdição

 

DO AMOR

"Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romancesdizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos ditos na ave-mãe que a está da fronde próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amar muito, como a segunda o que é voar para longe."

2012 - os 150 anos do "amor de perdição" de camilo

 

 

o académico simão e a revolução francesa

 

"O académico, porém, com os seus entusiasmos era incomparavelmente muito mais prejudicial e perigoso que o mata-mouros de tragédia. As recordações esporeavam-no a façanhas novas, e naquele tempo a Academia dava azo a elas. A mocidade estudiosa, em grande parte, simpatizava com as balbuciantes teorias da liberdade, mais por pressentimento, que por estudo. Os apóstolos da Revolução Francesa não tinham podido fazer revoar o trovão dos seus clamores neste cantodo mundo; mas os livros dos enciclopedistas, as fontes onde a geração seguinte bebera a peçonha que saiu no sangue de noventa e três, não eram de todo ignorados. As doutrinas da regeneração social pela guilhotina tinham alguns tímidos sectários em Portugal, e esses de ver é que deviam pertencer à geração nova. Além de que, o rancor à Inglaterra lavrava nas entranhas das classes manufactureiras, e o desprender-se do jugo aviltador de estranhos, apertado, desde o princípio do século anterior, com  as sogas de ruinosos e pérfidos tratados, estava no ânimo de muitos e bons portugueses que se queriam antes aliançados com a França. Estes eram os pensadores reflexivos; os sectários da Academia, porém, exprimiam mais a paixão da novidade que as doutrinas do raciocínio."

Camilo, Amor de Perdição

 

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2012 - centenário de falecimento de manuel laranjeira

 

 

"Porque hei-de eu querer que a vida seja uma obra de arte composta à minha fantasia e não uma comédia cruel e dolorosa?"

"Porque não há-de a vida estar cheia de cousas formosas da formosura moral?"

"Se eu estou farto de saber que o mundo não pode ser belo como a nossa fantasia o sonha, para que me hei.de perturbar com a imperfeição das almas?"

"Ponho-me a sorrir - dos homens e da vida. Ainda é uma consolação a gente poder rir-se satisfeita da pequenez dos homens."

"Sinto-me deslocado do meu tempo... talvez por ser do meu tempo. Mas tenho a impressão de que devia ter nascido há dous séculos ou daqui por dois séculos..."

 

Manuel Laranjeira - Diário Íntimo

para a cândida, amorosamente

 

 

dos vários trabalhos que tenho realizado ao longo dos anos, contam-se estas "referências bibliográficas sobre o património histórico e cultural de vila nova de famalicão. uma viagem pela imprensa. uma aproximação". destaco, inquestionavelmente, o problema da aproximação, devido ao facto de este mesmo trabalho estar incompleto. a ideia era reunir inicialmente os textos sobre o património histórico-cultural de famalicão e, na sua sequência, com uma selecção, a sua posterior publicação, com anotações dos seus referidos autores e as respectivas referências bibliográficas. deste trabalho inicial, destaco três nomes: o de manuel boaventura, de martins vieira e o de ribeiro dos santos, falecido este ano. se martins vieira, nesta fase, nos dá o estudo das alminhas, posteriormente publicado no "Boletim Cultural" (2.ª série), e dos cruzeiros, ribeiro dos santos realiza uma análise notável por vários caminhos para a identificação das raízes históricas de vila nova de famalicão. em 1976, a câmara municipal publica de ribeiro dos santos os "valores patrimoniais do concelho de vila nova de famalicão,então presidida por josé carlos marinho, numa edição policopiada. para além da sua colaboração no jornal de v. n. de famalicão "notícias de famalicão" (1982 a 1988), colaborou igualmente em mais jornais famalicenses, caso do "estrela da manhã" (1982 a 1983), no "jornal de riba d`ave" e, entre 1975 a 1976, no gabinete de estudos do vale do rio ave. ainda tenho uma vaga ideia do prof. ribeiro dos santos, naqueles passeios organizados então pelos rotários, julgo que nos anos 80, então presididos por josé marinho, com o tó mané e companhia, sob a sua orientação. de voz possante, que nos assustava, o prof. então dizia, quando nos questionava sobre algum assunto, então ninguém sabe o que é isto?, e nós perplexos, respondíamos, não respondíamos, e alguém, corajoso, lá respondia. esta é a minha prenda de natal para o dr. sá da costa.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SOBRE O PATRIMÓNIO HISTÓRICO.pdf (1 001,7 kB)

 

hoje dou destaque ao museu bernardino machado, pelos seus dez anos, e mais, muito antes, de plenas actividades, que foi inaugurado, no edifício do palacete barão de trovisqueira, em vila nova de famalicão, em 15 de dezembro de 2001. apresento uma cronologia desde o ano de 1857, ano em que o palacete do barão, josé francisco da cruz trovisqueira, já estava plenamente construído para futuramente receber as visitas reais, a intelectualidade e a sociedade da época. renovo a cronologia com novas imagens e outro tipo de organização.

 

MBMC.pdf (2 MB)

 

 

LITERATURA E CULTURA

CRONOLOGIA

1891-1926

VILA NOVA DE FAMALICÃO

 

cronologia 1891-1926.pdf (1,2 MB)

 

 

MITOLOGIAS CAMILIANAS

 

MITOLOGIAS CAMILIANAS.doc (567,5 kB)

 

 

ÉTICA E REPÚBLICA

EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO

 

ÉTICA E REPÚBLICA.doc (421,5 kB)

 

A "NOVA ALVORADA"

O ESPÍRITO COMEMORATIVO REPUBLICANO

 

Nova Alvorada.doc (43 kB)

PROJECTO

 

DICIONÁRIO DE LITERATURA E CULTURA FAMALICENSE

 

DLCF.doc (226,5 kB)

 

do local para o global

 

 

ABERTURA

A minha rua

ora cá está a minha rua. não que seja natural da minha rua, mas de vila nova, com costelas americanas, transmontanas, ribatejanas e minhotas. terra de camilo e de bernardino machado, entre tantos outros, de gavião para vila nova e agora para o mundo, não é como aquela rua de lisboa grandiosa pela história e tantos outros interesses de maior valia, caso das personalidades que lá nasceram e viveram. do primeiro caso temos alexandre herculano, o historiador  e o ficcionista, também poeta, o da "harpa do crente", que nos conta a história de amores de eurico e de hermengarda, e laura alves, e dos segundos, amália, a fadista e, quem diria, hintze ribeiro, que convida o então liberal monárquico bernardino machado e o corporativista socialista fuschini, os vermelhos . machado era o filósofo, aí vem o filósofo, diziam, para integrarem o ministério de 1893, e no caso de machado o ministério das obras públicas; ou então, a majestática estação de s. bento, no porto, com aqueles históricos azulejos. a minha não tem nada destas coisas, tem uns simples cidadãos pacatos, com um pacato cidadão que gosta de literatura e de filosofia, de cultura e de escrever umas coisitas, principalmente de vila nova, entre a imprensa e a literatura, teorizando com a filosofia e a sociologia, do local para o global. e assim a minha rua já está santificada, e é paraíso, porque o paraíso já está e se constrói neste mundo, não no outro, e depois, diga-se, a minha rua anda encantada com o mundo, amorosamente encantada, não tocada pelo mito da seta, mas pela flauta de pã, e assim o mundo brilha, sorrindo. o mundo precisa de sorrir. tem uma palavra este sítio, cultura; e tem um postal de azulejos que representa sócrates na fonte dos filósofos, da universidade de évora,diga-se, assim, que a cultura é aquele conjunto de traços distintivos, espirituais e materiais, assim como intelectuais e afectivos que caracterizam uma sociedade e englobaalém das artes e das letras, os modos de vida, os direitos fundamentais do ser humano, os sistemas de valor, as tradições e as cranças. mas a cultura também nos dá a capacidade de reflexão, fazendo de nós pessoas especificamente humanas,racionais e críticas e eticamente comprometidas. coma  cultura viajamos para outros mundos e nos exprimimos e tomamos consciência daquilo que somos, reconhecemo-nos como projectos inacabados que somos, , colocamos em questão o que vamos realizandoe buscamos incansavelmente novas significações criadoras que nos transcendem e nos transportam ao infinito e ao finito. a cultura, neste sentido, engrandece-nos naquilo que sócrates nos diz na "apologia", ao dirigir-se aos atenienses, que devemos cada um de nós, antes de mais nada, cuidar (e acrescento, se nos cuidarmos e estamos bem connosco próprios, estamos bem com o outro e com o mundo, e o outro e o mundo connosco, eis a ética da reciprocidade) da nossa própria bondade e da sabedoriae, e, para além disto, igualmente da cidade. a minha rua transforma-se assim numa rua filósofa, para dar ao mundo os gostos do dia a dia que a vida tece, assim.

 

 

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